Análise do cenário das necessidades da população em situação de rua na cidade de São Paulo

O processo de educação e formação dos profissionais da rede pública derivou dos estudos exploratórios realizados pela parceria da Organização de Auxílio Fraterno (OAF) com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Estes estudos possibilitaram realizar um diagnóstico das necessidades e dos direitos à saúde não efetivados para esta população. O trabalho demandou a realização de grupos focais com os diversos atores envolvidos no cuidado à população de rua. Foram ouvidas 100 pessoas em situação de rua, 30 agentes comunitários (saúde e assistência), 30 técnicos (médicos, enfermeiros e assistentes sociais) e 10 gestores de equipamentos da área da saúde e da assistência social.

Oficina Construção da rede de apoio à população em situação de rua

Com o objetivo de aprofundar a compreensão do trabalho intersetorial e de ampliar os contatos entre a saúde e a assistência social foi realizada pela parceria OAF/UNIFESP a Oficina Construção da rede de apoio à população em situação de rua. A oficina reuniu 120 trabalhadores das áreas da saúde e da assistência social em novembro de 2010. A sistematização das narrativas obtidas nos grupos focais possibilitou a construção dos sete eixos temáticos, que nortearam a realização da oficina: preconceito, violência, saúde mental, abuso e dependência de álcool e outras drogas, crianças e adolescentes, populações vulneráveis (idosos, travestis) e capacitação para os trabalhadores da rede da saúde e da assistência social.

Capacitação em Saúde Mental para trabalhadores da OAF

Considerando a necessidade de capacitar os trabalhadores da assistência em saúde mental, elencada como uma das prioridades pela oficina realizada anteriormente, foi realizada em 2011 a capacitação em saúde mental para os trabalhadores da OAF. O curso desenvolveu-se em encontros mensais para educadores, zeladores e coordenadores da OAF.

Curso de Extensão em Arteterapia Comunitária

O curso de extensão em arteterapia comunitária realizado em 2012 pela parceria OAF/UNIFESP, foi concebido a partir da experiência da análise do cenário das necessidades da população em situação de rua na cidade e da capacitação em saúde mental. A finalidade do curso foi qualificar profissionais da rede pública para utilizar estratégias não farmacológicas na abordagem a população de rua. Participaram profissionais dos serviços de saúde e da assistência social. Estruturado em módulo teórico (introdução aos fundamentos da arteterapia e temas específicos das técnicas expressivas aplicadas a intervenções psicossociais na comunidade) e prático com ateliê na comunidade e supervisão didática de cada atendimento. As aulas e os atendimentos foram semanais, com a duração de 17 semanas. O curso foi uma eficiente estratégia de integração dos serviços.

Grupo educativo sobre direito à saúde de travestis e transexuais em situação de rua

Esta ação foi desenvolvida pela parceria OAF/UNIFESP com travestis em situação de rua e iniciou-se em 2008, em uma parceria entre a OAF/UBS-SÉ. Na ocasião foram realizados os encontros quinzenais “Café com Saúde”. Os objetivos eram: identificar e discutir as questões de saúde e promover maior aproximação das travestis em situação de rua com os serviços públicos.
Durante o curso de arteterapia, foram reencontradas algumas travestis; e a partir daí veio a decisão de retomar o grupo, nos moldes do “Café com Saúde”. Aconteceram oito encontros entre dezembro de 2012 a janeiro de 2013 e pudemos identificar algumas necessidades e fragilidades que podem contribuir para melhoria dos serviços e para “saídas” da situação de precariedade em relação saúde e assistência social. Dos problemas levantados, as participantes reivindicavam prioritariamente pelo reconhecimento e respeito por parte dos frequentadores da AMRMC, onde elas assumiam algumas funções (cozinha, recepção, biblioteca, limpeza e outras). O grupo das travestis em situação de rua teve organizou um desfile para promover reflexões a atitudes em prol das reivindicações. Esse evento que aconteceu na AMRMC contou com o apoio dos profissionais desta instituição e de pesquisadores da NEPSPPS.

O Projeto ACR

Projeto ACR - Aprendizagem participativa na promoção dos direitos humanos das pessoas em situação de rua

O projeto é uma parceria entre Organização de Auxílio Fraterno (OAF),a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Secretária Municipal de Direitos Humanos (SMDHC) e a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Realizado no período de 2015 a 2016

Teve como objetivo contribuir para a garantia do acesso aos Direitos Humanos / fortalecimento da atenção/ cuidado integral da população em situação de rua da região central do município de São Paulo.

E para alcançar este objetivo, realizadas as seguintes ações:

1- Curso-Intervenção por meio de grupos focais compostos por pessoas em situação de rua, trabalhadores da rede intersetorial, gestores que atuam com a população em situação de rua e representantes da universidade. Os encontros aconteceram, às quintas-feiras, das 9h às 12h na OAF. As atividades iniciaram em 17 de setembro de 2015 com término em 04 de janeiro de 2016. No decorrer destes encontros foi realizada a construção coletiva  de documento com a temática: “Práticas de atenção integral e promoção de direitos humanos na situação de rua”. Ao final do curso, os participantes que obtiveram 75% de presença no processo de construção coletiva do documento, receberam certificados de participação em curso de extensão universitária (UNIFESP) e considerados coautores do material produzido.

2- Produção de Conhecimento - > Realização de Pesquisa-ação

3- Educação em Direitos Humanos ->Realização de seminários e oficinas com a população em situação de rua

Pessoas em situação de rua:  Oficinas/ Práticas de DH no Viaduto.

Trabalhadores da rede intersetorial e público em geral: 10 Seminários “A cor da Rua”.

Temáticas:  A saúde mental de quem trabalha com a situação de rua, Autocuidado para quem trabalha com a situação de rua,  O que é a rua? , Abordagens ao uso de Álcool e outras drogas,  Imigrantes em situação de rua, Mulheres em situação de rua, Crianças e adolescentes em situação de rua, Idosos em situação de rua, Quem sai da rua? 

  

 

 

Ateliês abertos de arteterapia comunitária

As atividades de arteterapia comunitária tiveram início em 2012, na Baixada do Glicério, região central da cidade de São Paulo por meio da parceria entre a OAF e o NEPSPPS/UNIFESP. A implantação das atividades de arteterapia comunitária foi concebida a partir da experiência da construção da rede de apoio à população em situação de rua e também experiências de Terapia pela Arte realizadas pelo projeto A Cor da rua anteriormente.

Durante o curso experimental em arteterapia comunitária, participaram 12 profissionais da rede pública atuantes nas áreas da saúde e da assistência social à população em situação de rua: UBS SÉ, CAPS-AD, NASFs SÉ e REPÙBLICA, COMPLEXO PRATES e AMRMC.
Atualmente participantes do curso desenvolvem intervenções de arteterapia comunitária em seu local de atuação. O Projeto A Cor da Rua promove encontros mensais, com o objetivo de compartilhar e discutir o andamento destas atividades, visando ampliar e aprofundar a compreensão das experiências. Também são realizadas visitas dialogadas a exposições de arte, como por exemplo a visita à exposição “Mem de Sá, 100” de autoria da fotógrafa Ana Carolina Fernandes que retratou as condições de vida e de saúde de travestis do Rio de Janeiro. Na ocasião, participantes dos grupos puderam dialogar com a autora que contribuiu muito para o debate e reflexões acerca de: condições de vida das travestis; autoestima; uso e dependência de substâncias psicoativas; acesso aos recursos culturais; entre outros.

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