De quinta

Poesia feito para os trabalha-dores da rede Psicossocial:

De quinta

Somos de quinta.

De quinta para os inimigos.

De quinta para o Estado.

De quinta sob os calçados dos opressores.

Somos de quinta e de restos da feira.

Somos aqueles que estão na rua com os invisíveis, com os enxotados, esculachados.

Sim, de quinta e de sábados e domingos nos plantões não remunerados.

Nunca de primeira e quase sempre de segunda, quando não de quarta.

Na universidade, distanciamento

Na rua vidro elétrico

Na Pós sem cota e só se for “interno”

Assim, nem vejo outros motivos para não ser de quinta. 

Afinal, nossa intenção não é sermos os primeiros.

Mas sim de sermos resistentes companheiros da quinta categoria. 

 

Álvaro Belloni